Testemunhos de Josimar Marques e Alexandre Pinto (NOVO)

Ir mais longe

Hoje partilhamos as histórias de Josimar e Alexandre. Unidas pelo apoio do Fundo Social Europeu e pela vontade de ir mais longe, retratam percursos diferentes. Percursos que surpreendem.

  

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Conquistado pela Rede

Diz que foi sempre um adolescente "refilão, resmungão e conflituoso". Josimar Marques tem hoje 20 anos e um passado de aluno desinteressado, "o tipo de aluno que não tinha vontade nenhuma de estudar, estava nas aulas por estar", diz. A professora é que não lhe achava graça nenhuma, perdia a paciência e o castigo era, invariavelmente, o que se seguia.

No final de cada ano letivo, nunca sabia se passava ou chumbava. Uma roleta que continuou até ao 7º ano e nem o Colégio D. Maria Pia, que frequentou nos 5º e 6º anos, conseguiu virar-lhe o horizonte. A adaptação ao novo ambiente foi normal mas o comportamento estava longe de ser o melhor e as notas seguiram-no. "Não gostava de estudar nem tinha vontade de aprender, chegava tarde às aulas, por vezes até faltava", lembra.


Reprovou no 6º ano e o chumbo ditou-lhe o fim dos transportes para Lisboa. Agora, se queria estudar, que fosse ao pé de casa, que o orçamento da família não permitia desperdícios. Transferido para a Escola EB 2,3 de Vialonga, sentia que agora não podia falhar. As negativas não o largavam mas conseguiu passar para o 7º ano. Fez novas amizades e procurou alianças com a comunidade. Afinal, quase não tinha amigos onde morava. Mas ser bom aluno parecia miragem: "não conseguia entender a matéria, não estava atento nas aulas, falava com os colegas, distraía-me com facilidade". Confessa que no fundo queria ser "o centro das atenções e achava que tinha graça, mas não, esse tipo de atitude só me prejudicava". E lá se foi o 7º ano.


Os pais, insatisfeitos com a situação, insistiam e explicavam-lhe que tinha de mudar o comportamento. Josimar ignorava. Os conselhos eram ruídos que queria esquecer. Preferia pregar partidas aos colegas de turma, mesmo que acabasse a limpar as salas de aula às 7h da manhã. Às 8h15 era aluno.


A idade apertava e "depois desta fase, quis mudar", diz. "Meti na cabeça que tinha de melhorar significativamente o aproveitamento e comportamento". A esta luz, segue-se outra: o amigo Lauro fala-lhe de uma rede de jovens dinamizada pelo Centro Comunitário de Vialonga em parceria com a Animar.

O Projeto "Animar o Bairro" (CLDS*) passa a animar-lhe a vida: "em vez de ficar em casa sem fazer nada, fiquei na rede de jovens a realizar atividades, conhecer novas pessoas". A energia para pregar partidas centrava-se agora na cooperação, na entreajuda, no espírito de equipa, tantas eram as atividades. Mas há uma que o tocou mais: a experiência como voluntário do Banco Alimentar. O dia em que recolheu alimentos no Pingo Doce de Vialonga marcou-o e deu-lhe sentido à vida.

Com a rede jovem aprendeu a gerir o tempo, soube o que era organização e percebeu de vez o valor da motivação. Termina o 12º ano de escolaridade.

"A rede de jovens foi muito importante para mim, ajudou-me muito como aluno e como pessoa". Hoje, Josimar frequenta a Licenciatura em Engenharia Eletrónica Telecomunicações e de Computadores no ISEL. E é voluntário no projeto "Animar o Bairro".

O projeto "Animar o Bairro" intervém na Freguesia de Alverca (Urbanização Vale de Arcena) e Vialonga (Bairro Olival de Fora) e é desenvolvido pela ANIMAR - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local, que integra um CLDS (Contrato Local de Desenvolvimento Social) com intervenção no concelho de Vila Franca de Xira.

Os CLDS têm por finalidade promover a inclusão social dos cidadãos, de forma multisetorial e integrada, através de ações em parceria e tendo em vista combater a pobreza persistente e a exclusão social em territórios confrontados com graves situações de pobreza e exclusão social. São cofinanciados pelo Fundo Social Europeu, através do Programa Operacional Potencial Humano e do Instituto da Segurança Social, enquanto organismo responsável pela execução de políticas públicas.

 

Conquistado pela História e pela tecnologia

Alexandre Pinto tem 31 anos, duas licenciaturas e um mestrado em História. Hoje é doutorando em História na Universidade de Coimbra e CEO da iClio, uma spin-off desta Universidade e incubada de forma virtual no Instituto Pedro Nunes - Associação para a Inovação e Desenvolvimento em Ciência e Tecnologia, sediado em Coimbra. Desde 2010, altura em que foi criada, que Alexandre lidera esta empresa de historiadores. "Éramos formados em História e queríamos contar a História sem sermos maçadores", diz.

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Memória coletiva e património da humanidade transformam-se facilmente em fonte inesgotável de inspiração e oportunidade. Foi assim a grande ideia de criar uma empresa capaz de produzir conteúdos de alta qualidade na área da cultura e património, destinados aos novos meios digitais e made in Portugal. O historiador esclarece: "vivemos numa época em que a produção de conteúdos não acompanhou a evolução tecnológica e temos aparelhos sofisticados, canais de comunicação de alta velocidade, mas relativamente poucos conteúdos para os rentabilizar verdadeiramente". Ao défice de conteúdos, associa-se o sistema universitário que "tende a separar precocemente os dois mundos: o das humanidades e o das tecnologias", acrescenta.

Escolheram para nome da empresa a Musa da História, Clio; a Musa que celebra a lembrança, as realizações, a criatividade e acrescentaram-lhe o "i" de inovação e interdisciplinaridade.

Em 2011 e 2012 a empresa beneficiou de formação apoiada pelo Fundo Social Europeu e com a chancela do Instituto Pedro Nunes. Era preciso conhecer o mundo dos negócios, da consultoria e, como salienta o empresário, procurar "processos internos que permitam a oferta de mais e melhores serviços, bem como pensar e planificar a expansão da empresa". Aumentar o volume de negócios era o objetivo a energizar. O marketing e a comunicação com o cliente, apoiados nos contactos internacionais da incubadora IPN, fizeram o resto e garantiram a ponte com o Brasil. A empresa Roimaker foi a parceira ideal.

A experiência coletiva que levou à criação da iClio surgiu no contexto do mestrado European Heritage, Digital Media and the Information Society recentemente reconhecido pela Comissão Europeia como exemplo das melhores práticas em inovação e criatividade.

O que o distingue é o enfoque na área das humanidades por via da sua aplicação às novas tecnologias, transformando, como afirma Alexandre "o que hoje em dia se consideram disciplinas com acesso limitado ao emprego em novas oportunidades de aplicação rentável de saber adquirido". E parece não faltar mercado para este tipo de produtos: o estudo The Economy of Culture in Europe aponta o consumo de bens culturais como mais gerador de valor do que as indústrias automóvel ou agroalimentar.

Em 2011 lançam no mercado a marca JiTT - Just in Time Tourist, um áudio guia para iPhone, iPod e Android que cria itinerários personalizados, combinando a localização exata, tempo disponível e pontos de interesse.

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Não se trata por isso, de um simples guia. É uma aplicação móvel tipo "guia turístico de bolso" no valor de 4 euros, que funciona em offline, ou seja, não precisa de roaming e traça o roteiro personalizado, de acordo com a preferência e gosto do utilizador. Pergunta se pretende regressar ao ponto de partida ou não e, com base no percurso gerado, as pessoas podem editar os pontos de visita em que estão interessadas. A experiência é criada "a duas vozes, masculina e feminina, dando contexto às histórias da cidade". Mas não são as histórias habituais, são "histórias que raramente ouvimos quando visitamos uma cidade, histórias que levamos para casa na nossa memória."

É este o produto de excelência da empresa que ousou revolucionar a ideia de guia turístico."Tem tudo o que as outras têm em separado", garante o CEO.

Para desenvolverem o produto, identificaram o maior consumidor de aplicações móveis, o mercado norte-americano e pesquisaram os locais com maior número de visitas norte-americanas na Europa. O resultado está à vista: os áudio guias turísticos de Barcelona, Paris, Londres e Roma. Na calha estão os guias de Boston, Los Angeles e Nova Iorque. A aposta no mercado internacional é a prioridade.

Inovação e qualidade trazem distinções e a iClio tem recebido várias. O prémio ANJE da Associação Nacional de Jovens Empresários, com esta ideia a vencer entre mais de duas centenas a concurso ou a nomeação para o prémio internacional World Summit Award, na categoria de melhor conteúdo para aplicação móvel, ajudam a ir mais longe.

O portefólio da empresa possui outros produtos e serviços, sempre ligados à produção de conteúdos. O Trabalho faz-se à distância, não existindo, como refere Alexandre, o tradicional "posto de trabalho". A "responsabilização de objetivos e tarefas" funciona bem.

O empenho na negociação de investimento de Capital de Risco promete agora novos horizontes a esta empresa. Com Alexandre e a sua equipa, associará sempre "o melhor da tecnologia ao melhor da História".

 

O Instituto Pedro Nunes promoveu ações de consultoria e formação à medida das necessidades de empresas até 100 trabalhadores, enquanto entidade beneficiária do "Programa Formação PME" pela AEP - Associação Empresarial de Portugal (Organismo Intermédio). Esta intervenção foi cofinanciada pelo Fundo Social Europeu, no âmbito do Programa de Formação-Ação para PME do Programa Operacional Potencial Humano.

 

Fonte: News FSE 8
23/12/2013